As alternativas
"Faz mais sentido produzir mais próximo dos centros
de consumo", dizMiguel Morgado, da empresa Eurosolar
www.eurosolar.pt, que
quer implantar uma rede de 260 micro-estações fotovoltaicas em
Mértola (Baixo Guadiana) e Almodôvar.
Lê-se no site da Eurosolar: «Ao optar-se por uma
estratégia de produção distribuída, segundo um
critério de micro geração, numa região onde o Sol
é abundante, foi possível co-localizar os centros de
produção próximos dos centros de consumo, o que, reduz os
custos inerentes ao transporte e perdas de energia eléctrica que ocorrem
em soluções de produção
centralizada.»
"A fotovoltaica em grande escala, a meu ver, é um
disparate", diz Manuel Collares Pereira, docente do Instituto Superior
Técnico e também empresário do sector solar.
Collares Pereira defende o aproveitamento da energia solar
em grandes projectos, mas com uma tecnologia diferente. É isto o que
promete o consórcio Energia Solar Térmica de Portugal, que
reúne duas empresas portguesas e uma da Austrália - de onde
virá uma tecnologia a ser ensaiada em Tavira.
Ali será construída uma central solar
termoeléctrica, com 6,5 MW. Em vez de painéis fotovoltaicos, a
central terá espelhos que reflectirão a luz solar em
direcção a um tubo com água, produzindo vapor.
Este, por sua vez, girará uma turbina, produzindo
electricidade - tal como numa central térmica. A diferença
está no combustível: em vez de carvão ou gás
natural, será o Sol. Segundo Collares Pereira, centrais destas podem ser
muito maiores. "A seguir, queremos fazer [centrais] para 50 e 100 MW", afirma.
Manuel Collares Pereira, Investigador Coordenador INETI
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Rumo ao absurdo: energia solar em Serpa
A central solar de Serpa vai produzir 20 gigawatts/hora de
energia por ano energia que será transferida para a Rede
Eléctrica Nacional. Foi inaugurada em fins de Março de 2007.
A tecnologia que usa grandes extensões de
painéis solares para produzir electricidade é incoerente.
O aproveitamento da energia solar mais adequado é através de
pequenas centrais, dispersas.
A Central solar de Serpa teria sido um passo
importante para Portugal atingir metas nas renováveis disse
o ministro da Economia, Manuel Pinho. "Estamos na linha da frente, na
União Europeia e mesmo a nível mundial, no que diz respeito
às energias renováveis", afirmou Manuel Pinho, salientando que o
objectivo de Portugal nessa área é "um dos três mais
ambiciosos" a nível comunitário.
De facto, o investimento em grandes centrais de energia
fotovoltaica, como é o caso de Serpa, é a direcção
mais errada que o desenvolvimento de energias alternativas possa tomar.
A infra-estrutura fotovoltaica que foi instalada na zona de
Brinches (Serpa) aponta para a centralização - em vez de para a
descentralização deste modo de produção de
energia. Esta tecnologia é um processo caro, que só faz sentido
quando serve para reduzir a dependência de pequenas casas rurais da rede
nacional.
A central solar de Serpa resultou num investimento de 61
milhões de euros para a instalação de 52 mil
painéis fotovoltaicos, que permite uma capacidade instalada de 11
megawatts, quase o dobro da anterior maior central deste tipo, na Alemanha.
Todos os portugueses, enquanto consumidores de baixa
tensão de electricidade, vão pagar na factura mensal o
preço desta alegada «liderança verde».
Só a instalação da maior central solar
fotovoltaica do mundo em Serpa vai custar anualmente aos consumidores cerca de
cinco milhões de euros, ao longo de um período de 15 anos - o que
perfaz um total de 75 milhões de euros.
A central vai produzir 20 gigawatts/hora de energia por ano
para a Rede Eléctrica Nacional, o equivalente para alimentar 8.000
habitações.
Kevin Walsh, director-geral e responsável pela
área da Energia Renovável da General Electric
(proprietária do projecto), qualificou a central como "um sucesso",
justificado pelas "excelentes condições solares" da região
(uma das áreas de maior exposição solar da Europa) e pelo
"apoio das políticas" do Governo para o sector.
"A central é o trampolim para futuros investimentos
na área da energia solar que a GE está a desenvolver na Europa",
acrescentou.
Sérgio Costa, da empresa Catavento (controlada pela
GE), disse esperar que o Governo "remova os obstáculos ainda existentes
para que a energia solar possa, verdadeiramente, irradiar por Portugal".
Relatou o Jornal de Negócios que: «A
central ... fotovoltaica de Serpa, vai receber um incentivo de 3,7
milhões de euros do PRIME Programa de Incentivos à
Modernização da Economia. Com um investimento total de 61
milhões de euros, .... Além do o incentivo do PRIME, a aposta na
energia solar valeu aos promotores do empreendimento um incentivo por via da
tarifa paga pela Energias de Portugal (EDP), que será de 32
cêntimos de euro por MW/hora. Este valor é cerca de quatro
vezes mais o que é pago pelos distribuidores pela energia
eólica, segundo Sérgio Costa, administrador da Catavento.
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