Turismo de Natureza

Os lobos, em risco de extinção

Lobo Ibérico
O lobo é um predador que nos habituaram a ver como demoníaco. Hoje, esse conceito está completamente desactualizado mas, infelizmente, os novos conhecimentos sobre este animal estão pouco divulgados junto da opinião pública.

O lobo é uma das espécies cuja área de distribuição mundial mais tem sido reduzida. Esta situação tem motivado enormes esforços com a finalidade de evitar a sua extinção, pois se não actuarmos de uma forma concreta e positiva, perderemos mais uma espécie animal. Foi tendo em atenção o que atrás foi escrito, que o Grupo Lobo iniciou uma estratégia cujas áreas de actuação dizem respeito à informação da opinião pública, ao apoio a estudos científicos e à promoção de medidas práticas e conservação.

  • Nome vulgar: Lobo Ibérico.
  • Nome Científico: Canis lupus signatus
  • Área de Distribuição: Península Ibérica.
  • Habitat: floresta, serras e planicies
  • Hábitos alimentares: A alimentação é muito variada, dependendo da existência ou não de presas silvestres e dos diferentes tipos de pastoreio de cada região.
  • Comprimento: entre 1,40 m e 1,80 m
  • Peso: machos entre 30 a 40 kg, e fêmeas entre 25 a 35 kg.
  • Período de gestação: cerca de 2 meses.
  • Número médio de crias: 3 a 8
  • Longevidade : Em cativeiro, há registos de exemplares que viveram até aos 17 anos.
  • Estatuto de conservação: Em Perigo (Livro Vermelho dos Vertebrados ICN, de 1990)
  • Causas de declínio: perseguição directa (p.ex. veneno) e o extermínio das suas presas silvestres.

As principais presas silvestres deste predador são o javali, o corço e o veado, enquanto que as presas domésticas mais comuns são os ovinos, os caprinos, os bovinos e os equinos.

Pode também predar cães e alimentar-se de cadáveres de outros animais (necrofagia).

O declínio é actualmente agravado pela fragmentação e destruição do habitat e pelo aumento do número de cães vadios/assilvestrados A subespécie de lobo que habita a Península Ibérica designa-se cientificamente por Canis lupus signatus e foi descrita por Angel Cabrera em 1907.

Outrora distribuindo-se por toda a Península Ibérica, actualmente encontra-se circunscrita às regiões do Centro-Norte e Norte. Estima-se que na Península Ibérica, sobrevivam cerca de 2000 lobos, dos quais 300 em território português.

Durante o século XIX os lobos eram numerosos em Portugal ocupando todo o território nacional. Contudo, já em 1910 era notório o seu declínio e apesar do actual estatuto de conservação do lobo, os estudos até agora realizados sugerem que a população lupina em Portugal continua em regressão, encontrando-se actualmente confinada à região fronteiriça dos distritos de Viana do Castelo e de Braga, à província de Trás-os-Montes e parte dos distritos de Aveiro, de Viseu e da Guarda.

As causas do declínio do lobo são a perseguição directa e o extermínio das suas presas selvagens - veado e corço. O declínio é actualmente agravado pela fragmentação e destruição do habitat e pelo aumento do número de cães assilvestrados.

A perseguição directa movida por pastores e caçadores - caça furtiva com armas de fogo, remoção das crias das tocas, armadilhagem e envenenamento - deve-se à crença generalizada que o lobo ataca o homem e os animais domésticos.

A escassez de presas naturais, provocada pela excessiva pressão cinegética sobre os cervídeos e pela destruição do habitat, leva a que, de facto, os lobos por vezes ataquem os animais domésticos.

No entanto, em áreas onde as presas naturais abundam, os prejuízos provocados pelo lobo no gado são quase inexistentes. Ao mesmo tempo, pensa-se que presentemente existam centenas de cães abandonados a vaguear pelo país, que competem com o lobo na procura de alimento, sendo provavelmente responsáveis por muitos dos ataques a animais domésticos incorrectamente atribuídos ao lobo. Em relação ao ataque a humanos, existe apenas uma informação comprovada que se refere a um animal com raiva, doença que, felizmente, já há muitos anos se encontra irradicada de Portugal.

O lobo só sobreviverá se lhe proporcionarmos refúgios adequados e alimentação natural (corço, veado, e javali), e aceitarmos que cause algumas baixas nos rebanhos, sendo os pastores indemnizados, sempre que o ataque seja comprovadamente atribuído ao lobo. A reintrodução de cervídeos - veado e corço - é fundamental para a sobrevivência dos nossos últimos Lobos Ibéricos.

www.loboiberico.com

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