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Onde o curso do Rio Guadiana se torna espectacular e
quase ensurdece com o barulho das águas a passarem entre as rochas
é em Pulo do Lobo, uma queda de água 20 km a norte de
Mértola. Dizem que os lobos saltam de um lado para o outro do rio com um
pulo. |
Sobre esta formação rochosa escreveu Saramago:
O rio ferve entre as paredes duríssimas, rugem as águas,
espadanam, batem, refluem e vão roendo, um milímetro por
século, por milénio, um nada na eternidade: acabar-se-á o
mundo primeiro que conclua a água o seu trabalho. |
Parque Natural do Guadina
O Parque Natural do Vale do Guadiana tem fauna e flora muito
ricas o que justificou a criação do Parque Natural em
1995.
No Guadiana há peixes como saramugos, bogas, barbos,
lampreias e uma importante comunidade de lontras...
Há ainda 13 espécies de anfíbios e 20
espécies de répteis (incluindo o cágado e a osga).
Porém, se estes são difíceis de observar, já nas
estepes cerealíferas podemos ter mais sorte e avistar aves como a
cegonha preta, a abetarda (pode pesar 15 quilos), o sisão ou o grou.
Mais fácil ainda é observar plantas
aromáticas e medicinais: rosmaninho, alecrim, erva-russa, murta,
mariola, orégão, poejo, trevo-de-quatro-folhas-peludo
(espécie ameaçada), tamujo... São tantas que não
é possível nomear todas.
Minas de S. Domingos
No extremo este do Parque, a 15 km de Mértola, ficam
as Minas de S. Domingos, de onde se extraiu cobre até 1965. Agora
há apenas construções abandonadas, como o Palácio
dos Ingleses (os administradores) e as casas dos mineiros, e quilómetros
e quilómetros de terra e lagoas vermelhas. Ao ver tal paisagem as
palavras que vêm à mente são: caos, surreal, paisagem
lunar. Das minas até à aldeia de Pomarão, onde ficava o
porto fluvial e mineiro, houve em tempos um caminho de ferro. Agora há
um percurso pedestre que pode levar oito horas a fazer e que permite, nas duas
povoações, aprender muito de arqueologia industrial.
Mértola islâmica
Chamam a Mértola vila-museu. De facto, na
Myrtilis (para os romanos) ou Mertolah (para os árabes), conquistada por
Sancho II em 1238 com a Ordem de Santiago, todas as pedras têm
história. Por lá passaram fenícios, cartagineses, gregos,
romanos, visigodos e árabes.
Mértola oferece ao visitante quatro núcleos
museológicos:
- o Romano,
- o Paleo-Cristão (ou Visigótico),
- o de Arte Sacra e
- o Islâmico. Realçamos este último
Museu, o maior da Europa em arte islâmica: dois andares com
cerâmica, metais, vidros, maquetes de edifícios para perceber a
relação da cultura portuguesa com o árabe.
O roteiro islâmico de Mértola inclui ainda a
igreja matriz (nota-se bem que foi uma mesquita), o castelo de
fundações mouras.
As nossas origens islâmicas
Numa época de confrontação de
radicalistas do Ocidente com radicalistas do mundo islâmico, conhecer as
nossas origens islâmicas permite ter um novo olhar sobre a identidade
portuguesa e o mundo actual.
Parque Natural do Vale do Guadiana Sede: Rua do Dr.
Afonso Costa, 40, 1º dto Mértola Tel. 286 611 084
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