Turismo de Natureza
Vitor Oliveira

No centro do Parque Natural. Vista do castelo, sobre o casario de Mértola e sobre o curso do Rio Guadiana. Foto: Vitor Oliveira

Pulo do Lobo

Onde o curso do Rio Guadiana se torna espectacular e quase ensurdece com o barulho das águas a passarem entre as rochas é em Pulo do Lobo, uma queda de água 20 km a norte de Mértola. Dizem que os lobos saltam de um lado para o outro do rio com um pulo.

Sobre esta formação rochosa escreveu Saramago: “O rio ferve entre as paredes duríssimas, rugem as águas, espadanam, batem, refluem e vão roendo, um milímetro por século, por milénio, um nada na eternidade: acabar-se-á o mundo primeiro que conclua a água o seu trabalho”.

Parque Natural do Guadina

O Parque Natural do Vale do Guadiana tem fauna e flora muito ricas – o que justificou a criação do Parque Natural em 1995.

No Guadiana há peixes como saramugos, bogas, barbos, lampreias e uma importante comunidade de lontras...

Há ainda 13 espécies de anfíbios e 20 espécies de répteis (incluindo o cágado e a osga). Porém, se estes são difíceis de observar, já nas estepes cerealíferas podemos ter mais sorte e avistar aves como a cegonha preta, a abetarda (pode pesar 15 quilos), o sisão ou o grou.

Mais fácil ainda é observar plantas aromáticas e medicinais: rosmaninho, alecrim, erva-russa, murta, mariola, orégão, poejo, trevo-de-quatro-folhas-peludo (espécie ameaçada), tamujo... São tantas que não é possível nomear todas.

Minas de S. Domingos

No extremo este do Parque, a 15 km de Mértola, ficam as Minas de S. Domingos, de onde se extraiu cobre até 1965. Agora há apenas construções abandonadas, como o Palácio dos Ingleses (os administradores) e as casas dos mineiros, e quilómetros e quilómetros de terra e lagoas vermelhas. Ao ver tal paisagem as palavras que vêm à mente são: caos, surreal, paisagem lunar. Das minas até à aldeia de Pomarão, onde ficava o porto fluvial e mineiro, houve em tempos um caminho de ferro. Agora há um percurso pedestre que pode levar oito horas a fazer e que permite, nas duas povoações, aprender muito de arqueologia industrial.

Mértola islâmica

Chamam a Mértola “vila-museu”. De facto, na Myrtilis (para os romanos) ou Mertolah (para os árabes), conquistada por Sancho II em 1238 com a Ordem de Santiago, todas as pedras têm história. Por lá passaram fenícios, cartagineses, gregos, romanos, visigodos e árabes.

Mértola oferece ao visitante quatro núcleos museológicos:

  • o Romano,
  • o Paleo-Cristão (ou Visigótico),
  • o de Arte Sacra e
  • o Islâmico. Realçamos este último Museu, o maior da Europa em arte islâmica: dois andares com cerâmica, metais, vidros, maquetes de edifícios para perceber a relação da cultura portuguesa com o árabe.

O roteiro islâmico de Mértola inclui ainda a igreja matriz (nota-se bem que foi uma mesquita), o castelo de fundações mouras.

As nossas origens islâmicas

Numa época de confrontação de radicalistas do Ocidente com radicalistas do mundo islâmico, conhecer as nossas origens islâmicas permite ter um novo olhar sobre a identidade portuguesa e o mundo actual.

Parque Natural do Vale do Guadiana
Sede: Rua do Dr. Afonso Costa, 40, 1º dto
Mértola
Tel. 286 611 084

Para qualquer informação: turismo.natureza@gmail.com